sábado, 8 de janeiro de 2011

Samba ao luar

Há muito tempo que não apareço por aqui. Porém, numa destas reflexões da vida, resolvi resgatar minha paixão por escrever. E já que estamos falando em sentimentos, porque não começar com um texto sobre eles?

Muitas coisas aconteceram nestes anos em que deixei o blog de lado. Dentre elas, uma coisa que jamais acontecera antes, tal qual tomou-me por completo. Por estas e outras, mostro para vocês um lado talvez desconhecido por muitos, deixando esta crônica falar por mim.

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Já era costume debruçar-se na janela pondo-se a admirar a lua. Fazia isto quase todas as noites, observando sem pretensão alguma, somente pelo simples ato de apreciar. Olhar para o satélite natural da terra lhe fazia um bem imensurável, mas até então ela não sabia o porquê disto.

Só que chegara um momento em que já não se impressionava com o luar, com olhos que nada diziam, as mãos e os corpos que se tocavam e nada sentiam, os gestos que pareciam cada vez mais desritmados. Construira em torno de si uma proteção, tal qual era forte demais para ser invadida. Esta proteção impossibilitara a admiração da lua, o balançar dos cabelos pelo vento, o toque da terra macia em seus pés.

Foi aí que, num doce e singelo ato, viu-se uma mão estendida em busca da resposta dela, e esta era tão convidativa, que ela deixou escorrer uma das mãos para fora da falsa proteção, e encontrara noutra o sentido que buscara ao contemplar a lua. A mão que lhe entrelaçava trazia consigo um jeito mágico de ver o mundo. Colocou-a sentada no banco do carona e fizeram uma visita à rainha das noites. E pôde ver, de tão perto, quão imensamente bela era aquela que fora apreciada por tanto tempo, agora colocada embaixo de seus pés. E como era macia! Parecia tão distante para ir buscá-la sozinha e ele a trouxe para ela. Sentiram-se envolvidos por uma melodia suave que deslizava em seus ouvidos.

E bailaram. Bailaram suavemente numa sintonia perfeita sobre a face da lua, o chão que com cautela pisavam. Quão preciosos se fizeram momentos, toques e cheiros. Ela sentiu-se inebriada do sentimento mais extraordinário e sensacional que um ser humano poderia sentir. E ele pôde sentir o mesmo. O sentimento que derruba muralhas; aquelas de quem não sabe deixar-se amar. E ela deixou o ritmo levar. Nunca a vida fez sentir-se tão presente, tão belamente presente como agora.

E lá mantêm-se bailando, nos passos cautelosos de quem um dia soube flutuar o bastante para chegar até a lua e lá permanecer.

Um comentário:

Túlio Santana disse...

Uma obra de arte, só se pode descrever tão serenamente um sentimento tão belo quem o viveu, ou simplesmente o vive.