quarta-feira, 30 de março de 2011

Bolsonaro X População Brasileira

E foi dado início ao round: Bolsonaro X População Brasileira. Todo mundo viu (ou ao menos ouviu falar) sobre o caso da infeliz participação do deputado Jair Bolsonaro no quadro "O povo quer saber" do programa da Band, o CQC. O político fez declarações racistas e homofóbicas, e a cantora Preta Gil foi o seu principal alvo. Agora, campanhas de cassação ao mandato do deputado estão sendo divulgadas nas redes sociais, e o bafafá foi lançado.

O Bolsonaro é um escroto, sim. Só que ele nos fez atentar para uma coisa: quantos políticos iguais ou piores do que ele nós elegemos? Existem muitos deputados a favor do aborto, por exemplo, o que ainda é ilegal.  Ele sempre foi esse troglodita, e nós só descobrimos agora. Gente, assim como ele, existem vááários por aí, nos representando! É inacreditável que o povo eleja alguém com esse tipo de pensamento. Não por ser antiquado ou quadrado, mas por ser racista, preconceituoso, discriminatório e desrespeitoso à toda população brasileira.

Esse tipo de situação mostrada no programa leva mais pessoas a conhecerem de verdade quem são os representantes que nós elegemos. O racismo, discriminação e preconceito estão ai para quem quiser ver, muitas vezes no seu bairro, na sua escola, no seu trabalho e até dentro da sua casa! Os veículos de comunicação, assim como todo cidadão, têm o compromisso de mostrar e denunciar este tipo de ação.

O CQC colocou isso no ar só pela audiência? Creio que não. Um dos propósitos do programa é, através do humor, abrir os olhos da população para o que acontece no país. Claro que a audiência foi uma recompensa maravilhosa para o programa, mas que é um tapa na cara da população, para aprender a se interessar e conhecer a história de cada candidato antes de votar, ah, isso é!

Enquanto nós fecharmos os olhos e fingirmos que o preconceito é algo que não merece ser avaliado, é esse o tipo de representantes que elegeremos. Ações e medidas devem ser tomadas. Preconceito é crime e tem que ser punido!


Fique por dentro do caso! Se você ainda não viu o vídeo, veja agora:

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cutucada na Ford


A Nissan lançou nesta sexta-feira seu novo comercial: O rap do Nissan Tiida. Este traz uma dupla de rappers caracterizados como engenheiros da concorrência (mais especificamente a Ford, com o Ford Focus) que ficam se vangloriando pelo luxo que têm à custa de quem compra o carro deles.

“A Nissan está disposta a tornar real o sonho de se ter um hatch completo, com inovação japonesa e custo muito mais competitivo que a concorrência. Queremos chamar a atenção dos consumidores para os diferenciais do Nissan Tiida por meio do humor das nossas propagandas comparativas, além de polemizar a relação de custo benefício neste segmento”, explica Carlos Murilo Moreno, diretor de Marketing da Nissan do Brasil.

Ousado, bem ousado! Eu tive o privilégio de vê-lo na tv, mas logo em breve será banido pelo Conar, afinal é provocador e politicamente incorreto. Mas foi uma ótima sacada para sair um pouco do mundo plastificado da publicidade. Ainda bem que temos o youtube para eternizar estas coisas!


Confira o comercial:

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Estereotipadas


Como vocês já devem saber, o filme da Bruna Surfistinha estreia hoje e já está causando o maior "bafafá". A repercussão do longa é imensa, causando polêmica em vários pontos; o primeiro seria o fato de produzir um filme mostrando a realidade de muitas garotas de classe média, que vêem na prostituição uma forma de ganhar dinheiro fácil. Tá, beleza, disso muita gente já tem conhecimento, e convenhamos que é bom para abrir os olhos de muitos pais, educadores e dos próprios jovens. O segundo ponto é justamente o fato do longa contar a história de uma garota de programa. Mostrar a vida dela, os programas, o mundo das drogas e tudo mais. Não que as profissionais do sexo não mereçam um filme como representação, mas a imagem que é passada para o mundo (pois o filme já tem previsão de estréia mundial) é o que me preocupa. 

Eu, particularmente, sou uma pessoa isenta de preconceitos. Porém, analisando o fato de que em diversos países europeus, o estigma da prostituição assombra cada vez mais os passaportes brasileiros, cogitei: será que a culpa desta relação é atribuída à mídia que circula nos diversos contextos mundiais? Se perguntarmos aos estrangeiros qual a primeira imagem que lhes têm à mente sobre a "mulher brasileira", obteremos como resposta, na grande maioria das vezes, a imagem da mulata bem torneada, sambista, sensual, com biquíni cavado e um baita "popozão".

Apesar de ainda não ter assistido ao filme, li matérias que informam que ele é carregado de cenas de sexo, nudez, semi-nudez, peitos, bundas e afins. Claro que nada explícito, mas o bastante para provocar o público. Vamos parar para pensar: o que poderia justificar esse uso desenfreado da imagem da mulher brasileira, que sobrevive e se adapta a diferentes sistemas culturais, tornando-se um símbolo sexual reconhecido internacionalmente? Diariamente entramos em contato com este tipo de referência da mulher. A mídia habitualmente é considerada formadora de todos os estereótipos, mas ela é apenas mais um sistema que potencializa essa representação, disseminando-os de maneira estendida. Podemos dizer que a mídia - assim como os discursos moralizadores - não criou uma figura que corresponde ao estereótipo da mulher brasileira, apenas forneceu exposições que se estabilizaram através dos tempos.

A sensualidade está presente no caminhar da brasileira, no seu gingado, no seu olhar, nas curvas de seu corpo. A mídia só faz o papel de explorar isto cada vez mais. Estamos vivendo num mundo onde as mulheres são esteriotipadas, mas nada que não seja condizente com a realidade. Hoje, mulheres bonitas, gostosas e inteligentes são como o "Santo Graal"; raríssimas. Trabalhar em cima da imagem torna-se cômodo mas ao mesmo tempo destrói a imagem daquela que antes era vista como imaculada, guerreira, batalhadora. Isto acaba trazendo à tona o desrespeito, o menosprezo e as dúvidas sobre o potencial feminino. A fórmula da mulher ficou sendo esteriotipada como "Mulher=bunda+peitos+coxas+cabeça oca".

Discutir o processo evolutivo da imagem da mulher brasileira não se limita à mera defesa do espaço da mulher, mas propõe um novo olhar acerca do povo, da história e da cultura brasileira. Uma mudança de atitudes é necessária; a mídia só mostra a realidade, cabe à nós mostrar que temos muito mais a oferecer ao mundo do que nossos corpos.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Viralizando

O que toda empresa deseja é ter seu nome na "boca" das pessoas. Como comentei aqui, a internet está sendo cada vez mais explorada pelas empresas e uma das ferramentas de publicidade mais eficiente no mundo atual é o chamado marketing viral.

Funciona basicamente da seguinte maneira: a empresa lança campanhas/promoções nas redes sociais e os próprios internautas se encarregam de repassar a informação adiante. Por isso o uso do termo "viral"; o sentido de "contaminar" várias pessoas rapidamente é o intuito deste tipo de publicidade.

Uns exemplos atuais que gostaria de compartilhar com vocês são as campanhas da Coca-Cola e da Red Bull. A primeira tem sua campanha "Abra a Felicidade" disseminada por várias ações filmadas e publicadas na internet, como a do vídeo que se segue:




Já o energético vai produzir um filme que será lançado em setembro deste ano e conta a história de atletas do snowboard praticando grandes manobras em diversas partes do mundo, intitulado de "A arte de voar":


   
O trailer em si já se tornou um grande comercial para a marca, e ainda por cima, a Quiksilver e a Canon pegam carona no vídeo que já se transformou em um poderoso viral, atingindo mais de um milhão de views em menos de dez dias; garantia de retorno para todos os envolvidos.

E ainda assim alguns empresários acham que publicidade é gasto e não investimento. Dó!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Blá blá blá



Verdade seja dita: a língua portuguesa tornou-se um "samba do crioulo doido". Como já foi comentado aqui, a reforma ortográfica veio, mostrou a que veio, entrou em vigor e nada aconteceu. Calma que vocês vão entender melhor nos próximos parágrafos.


O que eu estou querendo dizer, minha gente, é que a língua portuguesa nunca foi tão desprezada como hoje. Eu, como universitária, me tornei testemunha de crimes hediondos contra a nossa querida gramática. Vejo alunos do curso de Comunicação Social (Publicidade, Jornalismo, Radialismo e Cinema) cometendo erros primários em pleno regime universitário! E pensar que eles sairão dali com o diploma na mão, chegarão ao mercado de trabalho e acabarão jogando tudo no ventilador, atingindo a mim, a você e ao seu vizinho.


Antigamente, existiam profissionais especializados em evitar que estes erros fossem arremessados para o mundo. O próprio redator já tinha esse cuidado e podia contar com a ajuda de revisores e analistas de textos. Hoje, as palavras são jogadas ao vento e lá permanecem. Por isso vemos erros tão absurdos nos jornais, nos outdoors e nos veículos de comunicação em geral. Não há um cuidado de quem escreve, muito menos o "pente fino" como etapa seguinte. A má formação destes profissionais acaba gerando uma gramática própria, que ignora o que foi estabelecido pela Academia Brasileira de Letras. A maioria acha que o idioma pode ser escrito e falado à maneira de qualquer um, mesmo que esse qualquer um nunca tenha se dado ao trabalho de consultar um gramática ou um bom dicionário.


Infelizmente isto vem sendo observado com freqüência. Alguns profissionais de comunicação (isso inclui - principalmente - os jornalistas) não respeitam as regras gramaticais. Por um dever de ofício, todos estes profissionais deveriam ter conhecimentos básicos de português, e descobrir como é sublime o jogo das palavras. Para quem quer comunicar, isto torna-se mágico. Proporcionar um bom entendimento da mensagem passada e poder gerar um reconhecimento é o que faz o nome de um bom comunicador. Além disso, é necessário disponibilizar-se ao máximo para novos aprendizados, reciclar-se, buscar cada vez mais e mais conhecimentos para poder se tornar um profissional de qualidade. Vamos respeitar a nossa língua, os olhos e os ouvidos de quem lê e escuta o nosso trabalho.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A nova arma dos consumidores



Um assunto que já está virando clichê é a correlação das redes sociais + a publicidade. Felizmente, as empresas estão sabendo utilizá-las para focar a comunicação em um público-alvo específico e altamente segmentado, não somente como um canal de publicidade e sim como um canal onde elas podem estabelecer uma comunicação para se relacionar e se aproximar de seus consumidores.

Vendo isto, o público pôde perceber que agora, ao expressar admiração ou revolta por alguma marca ou empresa, ele pode obter uma resposta rápida e muitas vezes significativa. Eu pude perceber isto ao citar no twitter a faculdade em que estudo. Imediatamente me mandaram uma DM e começamos a estabelecer uma conversa para tentar resolver o meu problema (que aliás não foi resolvido, mas isto não vem ao caso, vou poupá-los do meu stress level 100).

Percebam que atualmente as organizações buscam cada vez mais ampliar sua fatia de mercado, conquistar mais consumidores, elaborar estratégias que dêem a eles a percepção de valor em seus produtos/serviços, mas por muitas vezes esquecem de atender o consumidor já conquistado (o que é caso da minha faculdade - ok, prometi que iria poupá-los, mas não pude me conter, desculpem). E é aí que entra meu lado consumidor. Porque antes de ser uma - futura - publicitária, sou uma consumidora. Mas não sou uma simples consumidora, sou consumista; daquelas viciadas mesmo. E como todos bons consumidores que somos, almejamos qualidade no produto/serviço adquirido.

Sendo assim, peço para que atentem para o título deste post. Vocês conseguem perceber o poder que temos em nossas mãos? O consumidor está super valorizado, a publicidade está toda voltada na sua satisfação. Empresas estão contratando serviços de marketing especializado no relacionamento com o consumidor, que exploram o chamado marketing viral (propaganda boca a boca) que é uma das ferramentas de publicidade mais eficiente e que não gera nenhum custo. E o principal meio para fomentar isto são as redes sociais.

O que precisamos entender é que o sucesso de qualquer empresa, independente da área de atuação, depende da mesma coisa: a satisfação de seus clientes. Felizes são os empresários que vêem seus produtos/serviços pelo outro ângulo. Além de gerar novos consumidores, mantêm os antigos fiéis e obtêm cada vez mais lucro e índice de satisfação com a marca. É chegada a hora dos empresários fazerem "novas amizades". É bom para eles, para nós (publicitários) e para nós (consumidores).

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

De treze letras


O ser humano tem uma grande tendência a deixar-se levar por crenças que nos levam a praticar rituais estranhos no nosso dia-a-dia. A chamada superstição é a maior causadora desse efeito "paranóico" de muitas pessoas que acreditam piamente que tudo pode mudar por conta de um elemento qualquer.

Hoje pela manhã fui submetida ao exame teórico do Detran. Chegando lá, ao receber o número da minha senha de atendimento, me peguei com pensamentos como estes: "53! O ano de nascimento da minha mãe, vai ser moleza!". Depois, com número do computador que eu ia fazer a prova: "18, a diferença de idade entre meu cunhado e meu namorado!". E ao término da prova, quando apareceu o resultado: "28, a data de aniversário do primo da amiga do... peraí, o que estou fazendo?!" Me toquei da baboseira que eu estava pensando enquanto deveria estar preocupada com as pendências do trabalho ou a comida que eu esqueci de colocar pro cachorro ao sair de casa (tadinho). Foi aí que me ocorreu outro pensamento; quantas pessoas não praticam uma rotina de superstições e fazem suas vidas girarem em torno disso?!

Você, por exemplo, é uma destas pessoas! Naquele dia que seu time foi campeão você estava com uma cueca do Goku e desde este dia vai para todos os jogos com a maldita (ou seria bendita?) cueca, não é mesmo? 'E ái' de sua mãe se lavá-la! Aliás, tadinha da sua mãe; mal sabe ela que quando seu time perder na próxima partida você vai jogar aquela cueca podre "que não funciona mais" no cesto de roupa suja para a coitada lavar. Logo ela, a quem você salvou todas as vezes que desvirou os chinelos de maneira obsessiva, pois se eles estivessem com a sola para cima, uma contagem regressiva se iniciava para sua morte ou a de seu pai. Eles que sempre fizeram de tudo por você; colocando comida na mesa com o dinheiro que recebiam ao usar amarelo no reveillon e colocando caroços de uva nas carteiras! Falando em ano novo, esse ano tá difícil porque você não pulou aquelas 7 ondinhas, né? Mas poxa, não precisa ficar assim só porque hoje é sexta-feira 13 e você acordou atrasado. E daí que aquele pãozinho do café da manhã caiu com a parte da manteiga virada para o chão? Não precisa ficar transtornado quando sair de casa depois de abrir a porta girando o trinco três vezes e se deparar com um gato preto. Depois de passar por baixo daquela escada você chega pontualmente na sua entrevista de emprego! Ah, e não se esqueça de entrar com o pé direto, viu? Tá com a cueca do Goku?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Temos nosso próprio tempo


Meia-noite, uma da manhã. As horas vão passando e me vejo revirando na cama, coisa que raramente acontece. Meu sono vem simultaneamente ao meu deitar. Mas o que raios me faz perder o sono? Agitação demais. Empolgação de um dia muito bom, que eu custo em aceitar seu término. Ansiedade pelo dia seguinte, preocupações, problemas, soluções. Porém há dias em que simplesmente o sono não vem, e conseqüentemente, vêm os pensamentos. Até o mergulho profundo, a cabeça fica ocupada e transtornada.

É antes de dormir que me ocorrem os pensamentos mais fúteis, as idéias mais loucas, os sentimentos mais profundos. Sinceramente, eu só durmo à noite porque é necessário. Minha cabeça fica à mil, dá vontade de estudar, criar alguma coisa, arrumar a casa, ajeitar o botão da blusa. Quantas vezes já levantei da cama pra assaltar a geladeira, resolver aquele problema do trabalho, passar a limpo aquela matéria, atazanar o cachorro... me recuso a ter que dormir! Porque o dia tem que acabar? Quero aproveitar cada segundo dele, mas o corpo cansado fala mais alto e não adianta querer prolongar o tempo; é hora de recarregar as baterias para poder aproveitar melhor o dia que está por vir.

E ele sempre vem trazendo consigo 24 horas. Só que vocês já pararam pra pensar que a gente passa a maior parte destas 24 horas desperdiçando-as? É, e é por isso que quando se vê, os pássaros já estão cantando, o sol já está raiando e você já está atrasado para o trabalho. "O tempo passa muito rápido", você diz. Ainda bem que o tempo passa! Já imaginou o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda-feira eterna?

Sim, o tempo passa e nós mudamos. Ficamos tão sérios, tão preocupados e sempre tão sem tempo para coisa alguma. Como diria Henfil, "bem aventurado é aquele que consegue acordar a tempo de perceber que melhor do que fazer horas extras no trabalho ou perder noites de sono em algum projeto ou pesquisa, é sempre reservar um tempo para preservar suas amizades, dedicando-se às pessoas que você ama, à sua família. A felicidade está conosco o tempo todo: nós é que muitas vezes não damos a menor bola pra ela." Não damos bola e empurramos a vida com a barriga, e quando vemos, estamos insatisfeitos com o trabalho, com a esposa, com a vida. Mas ora bolas, o que você fez para isso? Dedicou todas as suas horas extras para o trabalho que não lhe satisfaz, a esposa está sentindo sua falta e você está estressado e cansado demais para sair. Pare e perceba que o tempo que você gosta de perder não é tempo perdido. Se dedicar-se ao trabalho é prazeiroso para você, faça isso! Brinque com seus filhos, converse com seu companheiro (a), vá à praia ao entardecer, compartilhe bons momentos com as pessoas queridas, VIVA com prazer!

Só há um tempo em que é fundamental despertar e esse tempo é agora. E como diria nosso querido Mário Quintana: "Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de passá-la a limpo." Pense nisso.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Samba ao luar

Há muito tempo que não apareço por aqui. Porém, numa destas reflexões da vida, resolvi resgatar minha paixão por escrever. E já que estamos falando em sentimentos, porque não começar com um texto sobre eles?

Muitas coisas aconteceram nestes anos em que deixei o blog de lado. Dentre elas, uma coisa que jamais acontecera antes, tal qual tomou-me por completo. Por estas e outras, mostro para vocês um lado talvez desconhecido por muitos, deixando esta crônica falar por mim.

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Já era costume debruçar-se na janela pondo-se a admirar a lua. Fazia isto quase todas as noites, observando sem pretensão alguma, somente pelo simples ato de apreciar. Olhar para o satélite natural da terra lhe fazia um bem imensurável, mas até então ela não sabia o porquê disto.

Só que chegara um momento em que já não se impressionava com o luar, com olhos que nada diziam, as mãos e os corpos que se tocavam e nada sentiam, os gestos que pareciam cada vez mais desritmados. Construira em torno de si uma proteção, tal qual era forte demais para ser invadida. Esta proteção impossibilitara a admiração da lua, o balançar dos cabelos pelo vento, o toque da terra macia em seus pés.

Foi aí que, num doce e singelo ato, viu-se uma mão estendida em busca da resposta dela, e esta era tão convidativa, que ela deixou escorrer uma das mãos para fora da falsa proteção, e encontrara noutra o sentido que buscara ao contemplar a lua. A mão que lhe entrelaçava trazia consigo um jeito mágico de ver o mundo. Colocou-a sentada no banco do carona e fizeram uma visita à rainha das noites. E pôde ver, de tão perto, quão imensamente bela era aquela que fora apreciada por tanto tempo, agora colocada embaixo de seus pés. E como era macia! Parecia tão distante para ir buscá-la sozinha e ele a trouxe para ela. Sentiram-se envolvidos por uma melodia suave que deslizava em seus ouvidos.

E bailaram. Bailaram suavemente numa sintonia perfeita sobre a face da lua, o chão que com cautela pisavam. Quão preciosos se fizeram momentos, toques e cheiros. Ela sentiu-se inebriada do sentimento mais extraordinário e sensacional que um ser humano poderia sentir. E ele pôde sentir o mesmo. O sentimento que derruba muralhas; aquelas de quem não sabe deixar-se amar. E ela deixou o ritmo levar. Nunca a vida fez sentir-se tão presente, tão belamente presente como agora.

E lá mantêm-se bailando, nos passos cautelosos de quem um dia soube flutuar o bastante para chegar até a lua e lá permanecer.